sexta-feira, 16 de março de 2012

Carpenters: Sydney F. Júnior.. Um Fã Pra Lá de Especial..


Carpenters
Sydney F. Júnior : Um Fã Pra Lá de Especial..
                                                                                      *Por: Hugo Kochenborger da Rosa

No mês em que Karen Carpenter completaria 62 anos, se viva fosse, o Insert presta uma homenagem aos Carpenters, duo musical formado por ela e seu irmão Richard,  e cujo sucesso foi uma constante nas paradas de todo o mundo entre os anos 70 e início dos anos 80, atingindo uma vendagem que ultrapassou em muito a barreira das 100 milhões de cópias,  de seus álbuns.  Ao longo de quase 14 anos de carreira, os Carpenters obtiveram 10 compactos consecutivos entre os três primeiros lugares da parada norte-americana,  receberam 3 prêmios Grammy (o Oscar da indústria fonográfica) e nada menos que 17 discos de ouro. Além disso, a dupla foi homenageada com sua própria estrela na famosa “Calçada da Fama”, em Hollywood, Califórnia.  Confira a seguir o nosso bate-papo com o Presidente do Fã-clube oficial dos Carpenters por aqui, o Brazilian Carpenters Friend´s Club.  Na conversa, Sydney F. Júnior  fala do fã clube e relembra com muita emoção,  a única visita dos irmãos ao Brasil. Confira!!
Hugo - De que forma você começou a curtir o som dos Carpenters?
Sydney Ferreira Júnior (SJ) - Bem, nos idos de 1974, quando eu tinha 13 anos, uma amiga da escola, Eliane Vaccai, que já era fã dos Carpenters,  não parava de falar da nova  musica Please, Mr. Paul...  (como eu entendia o nome). Somente depois fui perceber que na verdade,  Mr. Paul  tratava-se de Please Mr. Postman  (risos).
 Ela tanto insistiu que eu acabei ouvindo a musica e...  realmente gostei!  No dia seguinte, Eliane apareceu com alguns compactos dos Carpenters para me emprestar e quando cheguei em casa fui imediatamente escutá-los. Ai veio a surpresa, quando  descobri que For All We Know, Yesterday Once More e Rainy Days and Mondays, musicas  que eu já gostava muito, eram justamente dos Carpenters!!!  Foi assim que teve início a paixão pela dupla, e o começo da correria em busca de seus  álbuns e compactos, pois ainda que  entre eles algumas músicas se repetissem,   todos eles vinham com capas diferentes e  que sempre me chamavam muito a atenção.  Começava ali um novo rumo para a minha vida, regido pela musica dos Carpenters...
Hugo - Quando e como  foi fundado o Brazilian Carpenters Friend’s Club? 
SJ - Gostando deles já há cerca de dois anos e inclusive tendo obtido diversas respostas do fã- Clube oficial da Califórnia, administrado pela própria dupla, nas pessoas de suas secretarias executivas, Evelyn Wallace e Rosina Sullivan;  Comecei , em conjunto com a amiga Gabriela Favre, de São Paulo, a amadurecer a idéia de montar o fã-Clube brasileiro dos Carpenters. Decidimos  encarar a empreitada com seriedade,  buscando inclusive o  reconhecimento oficial dos próprios  irmãos para colocar em prática tal iniciativa. E foi exatamente isso que aconteceu. Richard e Karen pediram apenas que mudássemos o nome original, Brazilian Carpenters´ Fan Club, pois o nome com Fan Club era patenteado deles e não deveríamos usar, assim tivemos  que bolar um nome alternativo. Foi ai que veio a idéia do Friends Club, muito mais significativo por sinal.  Após Gabriela Favre, o BCFC teve como vice-presidentes Silvia Helena Gomes, Ana Lucia Lodi Ribeiro e Fátima Gonçalves. Nesta época criamos as diretorias regionais de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte, que eram dirigidas respectivamente por Marisa Xavier Bomfim, Márcia G e Karin Hoffmann...
Hugo - Como era o relacionamento de vocês com o Carpenters International Fan Club, ou seja, o fã-clube oficial americano de Karen e Richard?
SJ - Nosso relacionamento era de total colaboração,não só de nossa parte, com da parte deles...   Sempre nos ofereceram todo e qualquer respaldo para que pudéssemos administrar da melhor forma a imagem de Karen & Richard no Brasil...
Hugo - Sabemos que já na segunda metade dos anos 70, havia muita interação entre o fã-clube brasileiro e a própria gravadora que representava na época, a etiqueta dos Carpenters, A&M Records, ou seja, a EMI-Odeon.  Como se processava esse relacionamento entre vocês?
SJ - Bem, a minha chegada a EMI Odeon se deu como a de um fã normal que gostava de seus ídolos. Mas quando Antônio Carlos Duncan, na época Gerente Nacional da A&M,  percebeu o quanto eu gostava, passei a ser tratado de forma muito especial e realmente foi através da Odeon que pude conseguir também muitas coisas para poder crescer o acervo do BCFC. Sem duvida nenhuma, os ajudávamos muito também, inclusive na divulgação dos novos  lançamentos e afins...

Parte da memorabilia dos Carpenters de Sydney F. Júnior









Hugo - Que tipo de programação a turma do Friends Club fazia pra agitar o nome dos Carpenters na época?
SJ - Além de nossas reuniões bimestrais, fazíamos muitas visitas à rádios, levando músicas inéditas e gravações ao vivo na época, como as do álbum Live in Japan e depois do  Live At London Palladium.  O fato é que éramos recebidos com carinho em muitas rádios cariocas, dentre elas, Rádio Cidade, Radio Jornal do Brasil, Rádio Imprensa e  Rádios Manchete AM e FM.  Chegamos também a participar de diversos programas de TV, dentre eles, o  do Monsieur Lima, que nos ajudou  e muito a promover a imagem dos Carpenters e do BCFC.  Em 1987, fizemos nosso primeiro Encontro Nacional, com cerca de 80 fãs...
Hugo - Entre 1979 e  começo de 1981, a dupla resolveu ” dar um tempo”.  De que forma essa notícia chegou até vocês?
SJ - Bem, na verdade esta noticia não chegou propriamente de forma oficial até a gente.  Nós cobrávamos muito o lançamento de um novo álbum, após o magnífico Christmas Portrait. (1978)..  Inclusive, foi para preencher esta lacuna que a Odeon acenou lançando nesta época a primeira coletânea brasileira dos Carpenters, o Classics, que teve grande sucesso de vendagem.  Mas na verdade, em 1980, tomamos conhecimento de que Karen  estava em estúdio gravando seu álbum solo, o que nos surpreendeu, pois achávamos que  esse trabalho individual, poderia prenunciar  um provável fim dos Carpenters.  Neste período também houve a mudança da representação do selo A&M no Brasil, passando para a CBS. Na época, considerei uma tragédia, pois  na Odeon, já tinhamos um grupo de amigos entre os executivos da gravadora que praticamente faziam parte do Friends Club. Já na  nova casa, a CBS, teríamos que construir todo um relacionamento novamente.
 
Hugo - Como foi ter tido o privilégio de ser  convidado pela  gravadora EMI-Odeon para escolher a foto para o lançamento de um novo compacto da dupla no Brasil?
SJ - Realmente foi muito especial.  Aconteceu num dos dias em que eu, já como visitante assíduo da  Odeon, fui chamado pelo Duncan para dizer qual era a foto dos Carpenters que eu mais gostava dentre as que ele havia me presenteado. Considerei a do gatinho muito meiga e passava algo especial da Karen para com o publico.  Foi aí que ele me deu a noticia que a foto apontada seria a próxima capa de compacto duplo, no caso, “Carpenters Quatro Sucessos, volume 3”.  Foi realmente algo mais do que especial para mim. Fiquei muito emocionado!!
Carpenters 4 Sucessos Vol. 03 (1976)
Richard, Sydney e Karen na Rádio Cidade (Rio de Janeiro)
Hugo - Como eram Karen e Richard pessoalmente?
SJ - Bem, Karen e Richard se mostraram muito simpáticos desde o primeiro momento, pessoas completamente normais. Karen já demonstrava sua dieta, na época ainda desconhecidas as causas por nossa parte (anorexia era um tema extremamente obscuro , nem se falava sobre isso).  Observávamos apenas que além de muito magra, ela espalhava a comida no prato e pouco comia.  Pude observar isso em nosso almoço no prédio da Rádio Cidade. Cantamos juntos por muitos minutos nos estúdios da emissora  e ela aceitou plenamente dividir o duo comigo. Era muito engraçado, pois a musica ia ao ar na rádio e a Karen em off encostada  na parede ia cantando e eu, a acompanhando. Certamente este talvez tenha sido um dos momentos mais significativos que tive ao lado dela durante essa visita ao Brasil.
Hugo - A dupla ficou de retornar no ano seguinte e de incluir o Brasil na próxima tournée.  Quando 1982 acabou e a dupla não apareceu, vocês ficaram ressentidos? Perceberam que havia algo de errado?
SJ - Nunca houve qualquer ressentimento nosso, pois havia ficado muito claro aos nossos olhos e pelas conversas que tivemos,  que a Brasil os tinha surpreendido  e muito e que a apresentação da dupla no  próximo ano estava mesmo confirmada. Quando isso não ocorreu, confesso que houve uma certa frustração, mas eu realmente entendia que se não tinha acontecido, era por que algo os impedia de fazer os shows.  Tínhamos pleno conhecimento que eles não estavam fazendo shows em nenhum lugar, ou seja, não era uma exclusão ao Brasil e sim a impossibilidade de realizá-los, pelos motivos que mais tarde tornaram-se evidenciados pelo que veio a acontecer.    E com isso, o Brasil guarda a marca de ter tido a ultima apresentação publica dos Carpenters em sua Carrera, ocorrida em um “pocket show “ no Shopping Sendas , no dia 5 de novembro de 1981...
Karen Cantando "Close To You" no Shopping Sendas. Foto Sydney F. Júnior
 Hugo - O que significou para você o dia 4 de fevereiro de 1983?
SJ - Um dos dias mais tristes da minha vida... O mais engraçado é que parece que presenti algo estranho, pois me peguei chorando no meio da rua e ao chegar a faculdade não me senti em condições de fazer a prova que tinha marcada para aquele dia, mesmo sem saber absolutamente de nada do acontecido. Ao chegar em casa, vi uma movimentação muito grande e achei estranho.  Imaginava que fosse algo relacionado aos Carpenters, certamente, mas não imaginava  nem de longe a gravidade da noticia que eu iria receber a seguir.  Minha mãe tentou minimizar, dizendo que os Carpenters tinham acabado e vendo que eu não dei muita atenção, posto que já tinham acabado uma vez, ela reuniu coragem e decisiva  falou que a Karen tinha falecido!! Foi um choque e lembro que fui para o meio da rua olhar para o céu na tentativa de encontrar a estrela mais brilhante... Deus tinha acabado de levar para junto dele aquela que eu tanto amava...
Hugo - Com a morte prematura de Karen, com apenas 32 anos, o que o BCFC  fez para não perder o rumo e estar atuante ainda hoje?
SJ - Com a morte de Karen,  nós do Friends Club, por mais que pudéssemos ter motivos para estarmos desmotivados, pelo contrário, trabalhamos com mais empenho e conseguimos unificar o Fan Club a nível Brasil, com as diretorias regionais e com isso delegando também, a outras pessoas a possibilidade de nos ajudarem nesta divulgação.  Muitas novidades apareceram, tais como o  álbuns póstumos Voice of the Heart, An Old Fashioned Christmas, Lovelines e ainda um disco solo do Richard, chamado Time. Durante este tempo ainda mantivemos muitas atividades e contatos. Com o advento da Internet, consegui montar o Site do BCFC e com isso um novo dinamismo na divulgação dos Carpenters, mas com a evolução do site e do número de visitantes no mundo inteiro, acabamos por não ter recursos para mantê-lo em provedor pago e que dispusesse banda suficiente para o nível de visitação que recebíamos.  Buscamos então as redes sociais para continuar conseguindo unir os fãs brasileiros e mundiais desta banda tão especial para todos nós...
Hugo - O que você achou dos dois álbuns solos de Richard lançados pós-Carpenters:  Time (1987) e Pianist, Arranger, Conductor (1996)?
SJ - Bem, são dois álbuns completamente diferentes em si.  Acho que Richard errou feio ao lançar o Time tendo por carro-chefe uma musica em que dividia os vocais com outra interprete (Dusty Springfield), dando a impressão para muitos,  que queria voltar com os Carpenters com uma nova interprete.  O disco era maravilhoso e muito bem produzido, com convidados especiais como Dusty, Dionne Warwick e o fantástico menino Scott Grimes.  Mas, na minha opinião, Richard tinha que ter lançado como carro chefe do álbum, "Calling Your Name Again" ou "I'm Still Not Over You", músicas interpretadas exclusivamente por ele e ambas de sua autoria. Quanto à Pianist, Arranger, Conductor, foi um álbum também muito bem produzido, poderia dizer até, impecável, onde ele apresentou a inédita Karen´s Theme, mas que parece não ter empolgado muito seu publico.
Hugo - Qual seu top 5 dos Carpenters (as cinco canções das quais você mais gosta)?
SJ - Crystall Lullaby ( Para sempre a número 1 )
     - Only Yesterday ( O sucesso mais profundo da voz da Karen )
     - Love Me For What I Am  ( Emocionante )
     - You ( Combinação perfeita de letra, musica e voz )
     - Do you hear what I hear ( A emoção que eu tive ao ouvi-la pela primeira vez, sem imaginar que em determinado momento, Karen começaria a cantar após o solo inicial de Richard... Foi uma emoção sem tamanho )
Os Carpenters vieram ao Brasil especialmente para o lançamento do LP "Made In America"
Diário dos Carpenters no Brasil
Durante a visita da dupla ao Brasil, Sidney F Júnior registrou detalhadamente toda maratona de programação vivida por Richard e Karen.  Pinçamos desses apontamentos os principais lances dia a dia.  Confira!!
01.11.1981 (Domingo)
Pontualmente às 15hs,  Karen e Richard desembarcam de um Concorde no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro (atual Tom Jobim), causando alvoroço entre os fãs e entusiastas presentes. Apesar do corre-corre, Sydney conseguiu trocar algumas palavras com a dupla, apresentando-se como o presidente do BCFC.
02.11.1981 (Segunda-feira)

Os Carpenters descansaram no  Hotel Caesar Park, no Leblon, e  por perto da hora do almoço, passearam pela praia, ali perto. Karen ficou apaixonada pelo colorido da moda-praia carioca e a musicalidade  das melodias entoadas pelos vendedores de limão e mate chamando a atenção para o seu pequeno comércio. A tarde visitaram o Corcovado e o Cristo Redentor, e lá foram reconhecidos por mais fãs, para quem se demonstraram muito atenciosos e com quem tiraram inúmeros retratos. Richard comprou uma camisa vermelha com o Cristo Redentor discretamente estampado no canto esquerdo em cor branca.
03.11.1981 (Terça-feira)
Sydney e a vice-presidente do Fã-Clube, Sílvia, foram convidados a almoçarem juntos a Karen e Richard. Na verdade eles pouco ou nada conseguiram comer, dada a emoção daquele momento tão especial.  Em seguida acompanharam a dupla de irmãos até os estúdios da Rádio Cidade FM, onde os americanos relembraram os grandes momentos de sua carreira, entrevistados pelo locutor Fernando Mansur. Cantarolaram algumas músicas e falaram sobre o novo álbum,  Made In America. Durante a tarde, eles foram aos estúdios da Rede Globo de Televisão para gravar suas participações nos Programas Geração 80 ( Back in My life Again / Close to You / We´ve Only Just Begun ) e Globo de Ouro ( Touch Me When We´re Dancing ).   

Entrevista Rádio Cidade (Rio de Janeiro) 03.11.1981 - (cortesia BCFC)

Carpenters Close To You TV Globo 03.11.1981 (cortesia BCFC)

Carpenters (Want You) Back In My Life Again  TV Globo 03.11.1981 (cortesia BCFC)

 Carpenters We've Only Just Begun  TV Globo 03.11.1981 (cortesia BCFC)
04.11.1981 (Quarta-feira)
Logo ao acordar, Richard e Karen tomaram café da manhã e partiram para o aeroporto Santos Dumont, onde embarcaram para São Paulo, afim de visitarem diversas emissoras de rádio  e televisão para divulgarem seu novo álbum. Chegaram às 10 horas da manhã, sendo recebidos por inúmeros fãs. Em seguida estiveram nas Rádios Cidade de São Paulo, Jovem Pan II,  Manchete e Antena 1. Ainda estiveram na sede da gravadora CBS, onde encontraram a cantora Kátia. Após os compromissos profissionais foram ao Shopping Iguatemi, onde na loja de discos Hi-Fi  compraram muitos discos de música brasileira e tiraram mais fotos com fãs. A seguir, retornaram ao Rio de Janeiro.
Carpenters - Entrevista Rádio Cidade (São Paulo) 04.11.1981 (EM QUATRO PARTES)



05.11.1981 (Quinta-feira)
Passearam na praia e depois foram ao Morro da Urca com uma equipe da Rede Globo gravar o clipe brasileiro de Touch Me When W’ere Dancing. Apesar do tempo fechado, o clipe ficou muito legal e foi levado ao ar no Fantástico de 15.11.1981.
         Carpenters Clipe Brasileiro de Touch Me When We're Dancing  TV Globo 05.11.1981 (cortesia BCFC)
Depois fizeram um pequeno  “pocket show”promocional,  nas dependências do Shopping Sendas (atual Shopping Grande Rio), acompanhados de playback.

http://www.myspace.com/video/gocarpenters-com/the-carpenters-in-brazil-1981/13762453
Pocket Show no Shopping Sendas
06.11.1981 (Sexta-feira)
Pela manhã visitaram a Rádio Globo, onde deram entrevistas e posaram para fotos de divulgação. Almoçaram com o empresário Adolpho Bloch,  dono da poderosa Revista Manchete. Concederam a seguir entrevistas para as rádios Machete AM e FM. Mais tarde esbanjaram simpatia ao serem entrevistados e fotografados para a Revista Amiga. À noite, Richard e Karen participaram de uma entrevista coletiva à beira da piscina do Hotel Caesar Park.
07.11.1981 (Sábado)

Karen e Richard escolheram a manhã para preparar as malas.  Depois fizeram uma rápida visita a Feira da Providência e em seguida receberam uma lembrança carinhosa do Brazilian Carpenters Friends Club:  Richard uma caneta folheada a ouro e Karen um lindo almofadão do Mickey Mouse (seu personagem Disney favorito). Naquela mesma tarde, cansados, mas felizes foram ao aeroporto do Galeão, onde embarcaram em um avião da Pan Am  rumo a Los Angeles, não sem antes despedirem-se dos fãs que os acompanharam durante sua permanência no Brasil .
Circulou  no caderno de cultura "Blitz" da rede de radios e jornais Diário da Manhã, encartado em comum  nos jornais de Passo Fundo, Carazinho e Erechim (RS), em 16.03.2012
*Todos os direitos reservados pelo autor. Proibida a reprodução total ou parcial deste artigo, sem prévia autorização do titular., 
                                                                                       

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os 30 Anos Sem Elis Regina..


Os 30 anos sem Elis Regina
                                                                                      Por: Hugo Kochenborger da Rosa

19 de janeiro de 1982 poderia ter sido apenas mais um dia como outro qualquer na vida dos brasileiros, não fosse por um fato que abalaria para sempre os rumos da MPB.  Naquela manhã, faleceria precocemente Elis Regina de Carvalho Costa, considerada por muitos críticos como “A Melhor Cantora do Brasil”.  Elis tinha então,  somente 36 anos de idade.

Você diz que depois dela, não apareceu mais ninguém..
Os 36 anos bem vividos de Elis Regina, contudo, foram suficientes para que a cantora deixasse um incrível legado, que até sua morte somava  27 Lp’s, 14 compactos simples e seis duplos, totalizando 24.000 cópias vendidas.  Dias após uma autópsia revelaria:  A  causa mortis atestada teria sido uma nefasta combinação de uísque  e cocaína. A bebida alcoólica teria sido o elemento responsável pela potencialização dos efeitos da droga no organismo da cantora,  levando-a ao óbito.
Elis Regina não era, paradoxalmente ao  que muitos apressada e injustamente  concluíram na época, uma usuária inveterada de drogas. Pelo contrário: A droga teria sido introduzida em sua vida no início de 1981, ou seja, apenas um ano antes, quando Elis esteve em viagem aos EUA, onde tratava  sobre a gravação de um disco com o saxofonista Wayne Shorter.   Antes disso, a cantora, quando muito  bebia uma cervejinha misturada com vodka.. Talvez a pouca intimidade da  “Pimentinha” (como era conhecida por seu temperamento forte), com as drogas, tenha justamente sido o principal agente disparador da fatídica claquete da cena final de sua vida...

Nada Será Como Antes..
Nascida em Porto Alegre, no dia 17 de março de 1945, Elis Regina desde pequena gostava muito de escutar o velho rádio da familia. Adorava ouvir  Ângela Maria, Marlene, Dalva de Oliveira e outros cartazes da “Era de Ouro do Rádio”.  Sobretudo Ângela Maria, seria  forte influência  para a  formação artística da futura cantora.
Foi revelada no Clube do Guri,  programa apresentado pelo Radialista  Ary Rego na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, ao vencer um concurso de melhor cantor/cantora mirim, em 1958.
Chegou  a gravar um compacto simples. Seu enorme talento e as dificuldades  de perseguir o sucesso nacional vivendo no Rio Grande do Sul ,porém, fizeram com que a jovem Elis, com o passar dos anos resolvesse alçar vôos maiores, indo morar inicialmente no Rio de Janeiro (1961), ocasião em que gravaria também seu primeiro LP “Viva a Brotolândia”. Em 1964 muda-se para   São Paulo,  onde permaneceria até o fim da vida.

Vivendo e Aprendendo a Jogar..
Lançada pela gravadora Continental como uma espécie de nova “Celly Campello”, inicialmente Elis não teria grande destaque.  A consagração popular só aconteceria  ao defender a música Arrastão (Vinicius de Moraes/Edu Lobo), no 1º Festival de MPB da TV Excelsior, em 1965, mudando radicalmente de estilo e podendo finalmente demonstrar a que veio.   

 Assina nesse mesmo ano com a CBD/Philips,   e lança seu primeiro álbum  por aquela etiqueta “Samba eu Canto Assim”.  Nessa companhia discográfica, Elis permaneceria a maior parte de sua carreira, passando ainda pela WEA, EMI ODEON, e por último, Som Livre, para a qual registrou aquela que seria sua última gravação:  “Me Deixas Louca”, versão de Paulo Coelho para a  música de Armando Manzanero,  “Me Vuelves Loco”.  Tal sessão de gravação  foi feita para a Som Livre, sob encomenda da Rede Globo, especialmente para integrar a trilha sonora da novela das 8 da época: “Brilhante”, de Gilberto Braga.

 
Última aparição de Elis na TV (Bandeirantes) (Dezembro de 1981)

                    Elis homenageada no último capítulo da novela Brilhante (Rede Globo) (1982)
Arrastão..
Em sua carreira de resplandecente brilho, Elis ajudou a trazer à luz do conhecimento do grande público, vários compositores  que se revelariam notáveis para a MPB, como:  Belchior, a dupla João Bosco e Aldir Blanc, Renato Teixeira, Milton Nascimento, Tavito, Zé Rodrix, entre vários outros.
Alguns dos Sucessos da cantora:
Arrastão (1965), Canção do Sal (1966), Upa, Neguinho (1968), Madalena (1971), Atrás da Porta (1972), Casa No Campo (1972), É Com esse que eu Vou (1973),   Águas de Março *com Tom Jobim*(1974),  O Mestre Sala dos Mares (1974), Como Nossos Pais (1976), Fascinação (1976), Romaria (1977), O Bêbado e a Equilibrista (1979), Alô, Alô Marciano (1980), Aprendendo a Jogar (1980) e Me Deixas Louca (1981).

Fascinação...
No trigésimo ano de sua ausência física, Elis Regina continua mais viva do que nunca na memória dos fãs, com sua arte rara imortalizada nos sulcos dos discos, na pista magnética das fitas , nos sinais óptico-digitais dos Cd’s e sobretudo na mente e corações de seus milhares de admiradores espalhados pelo mundo.  A propósito:  Para muitos ela continua sendo a melhor cantora do Brasil....

·         Curiosidade: Elis foi a primeira pessoa a ter inscrita sua própria voz como “instrumento” na Ordem dos Músicos do Brasil.

Discografia

Discos em estúdio:
1961 - Viva a Brotolândia
1962 - Poema de Amor
1963 - Elis Regina
1963 - O Bem do Amor
1965 - Samba - Eu Canto Assim
1966 - Elis
1969 - Elis - Como e Porque
1970 - Em Pleno Verão
1971 - Ela
1972 - Elis
1973 - Elis
1974 - Elis & Tom (com Antônio Carlos Jobim)
1974 - Elis
1976 - Falso Brilhante
1977 - Elis
1979 - Essa Mulher
1980 - Saudade do Brasil
1980 - Elis

Discos ao vivo:

1965 - Dois na Bossa (com Jair Rodrigues)
1965 - O Fino do Fino (com Zimbo Trio)
1966 - Dois na Bossa nº 2 (com Jair Rodrigues)
1967 - Dois na Bossa nº 3 (com Jair Rodrigues)
1970 - Elis no Teatro da Praia
1978 - Transversal do Tempo

Compactos simples:

1961 - Dá Sorte / Sonhando
1961 - Dor de Cotovelo / Samba Feito pra Mim
1962 - Poporó Popó / Nos teus Lábios
1962 - A Virgem de Macarena / 1, 2, 3 Balançou
1965 - Menino das Laranjas / Sou sem Paz
1965 - Arrastão / Aleluia
1965 - Zambi / Esse Mundo É Meu / Resolução
1966 - Canto de Ossanha / Rosa Morena
1966 - Ensaio Geral / Jogo de Roda
1966 - Upa, Neguinho / Tristeza que se Foi
1966 - Saveiros / Canto Triste
1967 - Travessia / Manifesto
1968 - Yê-melê / Upa, Neguinho
1968 - Samba da Benção / Canção do Sal
1968 - Lapinha / Cruz de Cinza, Cruz de Sal
1969 - Casa Forte / Memórias de Marta Saré
1969 - Tabelinha Elis x Pelé (Perdão Não Tem / Vexamão) Elis cantando duas músicas de Pelé
1972 - Águas de Março / Entrudo
1972 - Águas de Março / Cais
1979 - O Bêbado e a Equilibrista / As Aparências Enganam
1980 - Moda de Sangue / O Primeiro Jornal
1980 - Alô, Alô Marciano / No Céu da Vibração
1980 - Se Eu Quiser Falar com Deus / O Trem Azul

Compactos duplos:

1966 - Menino das Laranjas / Último Canto / Preciso Aprender a Ser Só / João Valentão
1966 - Pout-Porri de Samba / Sem Deus, com a Família / Ué
1966 - Saveiros / Jogo de Roda / Ensaio Geral / Canto Triste
1968 - Deixa / A Noite do meu Bem / Noite dos Mascarados / Tristeza
1969 - Andança / Samba da Pergunta / O Sonho / Giro
1970 - Madalena / Fechado pra Balanço / Falei e Disse / Vou Deitar e Rolar
1971 - Nada Será como Antes / A Fia de Chico Brito / Osanah / Casa no Campo
1972 - Águas de Março / Atrás da Porta / Bala com Bala / Vida de Bailarina
1975 - Dois pra lá, Dois pra Cá / O Mestre-sala dos Mares / Amor até o Fim / Na Batucada da Vida
1976 - Como Nossos Pais / Um Por Todos / Fascinação / Velha Roupa Colorida


Circulou  no caderno de cultura "Blitz" da rede de radios e jornais Diário da Manhã, encartado em comum  nos jornais de Passo Fundo, Carazinho e Erechim (RS), em 27.01.2012
*Todos os direitos reservados pelo autor. Proibida a reprodução total ou parcial deste artigo, sem prévia autorização do titular.,


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os Encantos da Caixinha Iluminada: Alceu Massini

Massini é provavelmente o maior colecionador de televisores do Brasil. Sua coleção ultrapassa os mil aparelhos

Os Encantos da Caixinha Iluminada
Alceu Massini

                                                                       Por: Hugo Kochenborger da Rosa

Por volta de 1980, os primeiros aparelhos de televisão surgidos no Brasil, já se encontravam tecnicamente inoperantes ou simplesmente abandonados pela própria obsolescência tecnológica.  Afinal, já estavam com 30 anos de uso, e nesse meio tempo muita coisa havia mudado.  Houve o advento do transistor e o conseqüente  desaparecimento das válvulas, as transmissões  outrora em preto e branco  passaram a ser em cores, etc..  Em Santo André, interior de São Paulo, não foi diferente. As pessoas iniciaram uma verdadeira  operação “bota fora”.  Vendo isso, o jovem Alceu Massini resolveu salvar o que podia da destruição eminente, afinal,  pensava ele: “Se todos os aparelhos forem descartados  que lembranças ficarão desses geniais dispositivos para as futuras gerações?”
Tudo começou com um velho televisor Invictus de 1956, que se encontrava “encostado” na garagem dos avós. Vendo-se em dificuldades para  encontrar um técnico que se dispusesse a colocar o aparelho em funcionamento novamente, o próprio Alceu iniciou de forma autodidata, aprendizagem em um velho livro de eletrônica valvulada.  Todo esse esforço obteve a merecida recompensa. O tempo passou, e hoje, Massini conta com uma coleção de mais de mil diferentes aparelhos de televisão, muitos deles em perfeitas condições de uso.
O proprio colecionador lembra que o irônicamente, o que um dia foi considerado objeto de descarte, hoje virou relíquia. Alem de raros, os históricos modelos de receptores televisivos,  estão supervalorizados.  Até mesmo porque, com o passar do tempo tornou-se cada vez mais difícil encontrar um equipamento desses por ai “dando sopa”, que dirá em perfeitas condições de uso.

Confira agora o bate-papo que o Insert Cultural levou com Alceu Massini:

Hugo -  Muitas pessoas colecionam algum tipo de objeto. Algumas discos, outras selos, outras ainda cartões telefônicos, automóveis, revistas, enfim..  As possibilidades são inúmeras.  E no seu caso,  o que o fez enveredar justamente pelo colecionismo de aparelhos de televisão antigos?

Alceu Massini (AL) - Começou de uma maneira espontânea, em 1982 encontrei abandonado o televisor que fez parte da minha infância e veio uma vontade de restaurá-lo, pois na época eu já tinha um vídeo cassete, e fiquei curioso em jogar imagens de séries antigas naquele televisor. Seria como que um resgate de uma época gostosa, de um mundo sem preocupações.

Hugo- Segundo a Revista Nosso Século, em 1950, primeiro ano de operação da televisão no Brasil, foram cadastrados 312 aparelhos. Você possui algum(ns) dos aparelhos dentre esses pioneiros a aparecerem no  Brasil? Em caso afirmativo, quais são eles?

AM- Dos 312, consegui salvar 13, inclusive os que participaram dos testes pré-inauguração da televisão no Brasil, como um RCA de 1949. Hoje tenho na coleção o monitor de estúdio original da câmera 3 da Tv Tupi, com certeza o primeiro beijo da televisão brasileira foi visto nele; uma verdadeira raridade, pois quase nada sobrou do estúdio original de 1950.

Combinado com rádio, vitrola e TV Philco USA 1954 e TV Zenith 1949 / FOTO COLEÇÃO ALCEU MASSINI

Hugo-  Qual a diferença  entre simplesmente consertar ou restaurar um equipamento como o de televisão por exemplo?
AM- Um conserto é mais rápido, porém novos defeitos virão, já numa restauração são trocados todos os capacitores e feita uma revisão geral para manter o aparelho em perfeito funcionamento.

Hugo-  Sabemos que sua relação com a televisão abrange um prisma mais voltado para o ângulo doméstico, ou seja, do telespectador. Mesmo assim, além desse monitor utilizado pela Rede Tupi por ocasião de sua inauguração,  existe em sua coleção mais algum aparelho de uso profissional utilizado pelas antigas emissoras?

AM- Além do monitor do estúdio original da Tupi, possuo ainda uma câmera Marconi Mark III que foi da Tv Excelsior.

Hugo-  Quais os modelos de aparelhos de TV  mais curiosos que fazem parte de sua coleção?

AM- O ícone Predicta, com sua tela giratória e muitos outros com design espacial (futurista para a época).

Televisores com design "espacial"ou "futurista"
Hugo-  Até que ponto os famosos “combinados” com rádio, eletrola e televisão em um único móvel alcançaram sucesso no mercado brasileiro dos anos 50 e 60?

AM- Tiveram um sucesso modesto, pois eram muito caros, só a elite tinha acesso. Tenho combinados na coleção que foram fabricados só 100.

Hugo-  Dentre as marcas de televisores antigos que existiram no mercado nacional nas primeiras duas décadas a partir do  advento do surgimento da televisão no Brasil, quais você mencionaria como mais importantes.

AM- Uma das que mais se destacou foi a Invictus, com muitos modelos inusitados, como um que possuía uma tampa com chave para acessar os controles; para evitar que crianças e até empregadas domésticas ligassem o aparelho sem autorização... (risos)

Hugo-  Um dos modelos de televisores de sua coleção, possui um curioso dispositivo de controle remoto por som. Como exatamente se processava o funcionamento desse equipamento de tecnologia tão singular?

AM- Antes do infravermelho foi usado um sistema por frequência sonora, o controle emitia um som e um motor dentro da tv fazia girar o seletor de canais.. Imaginem só.. (risos)

Hugo- Por que aos televisores de tubo redondo ou mesmo os ovais são tão raros, e porque exatamente essa  tecnologia que fazia parte dos modelos mais antigos, não teve continuidade em sua produção?

AM- Os tubos eram redondos por falta de tecnologia para fazer retangular, e também por problemas de deflexão; então se fazia uma máscara retangular na frente e estava tudo resolvido. Eles foram substituídos porque esses probleminhas pontuais foram sanados ou pelo menos amenizados com o aparecimento do formato tradicional utilizado durante muitos anos, e que hoje,  que com o advento das modernas Tvs widescreen, também já começa a desaparecer. Na ocasião era uma solução que permitia um melhor aproveitamento da imagem transmitida pelas emissoras do que os antigos formatos  redondos e ovais dos primeiros tempos.

Hugo-  Você foi convidado para expor parte de sua coleção no cerimonial do lançamento da televisão digital no Brasil. Como foi participar desse evento histórico?

AM- Foi maravilhoso, pois não pude estar na inauguração da televisão (em 1950 ainda não era nascido), pelo menos participei da segunda inauguração.

Televisor Johnson 1966

Hugo-  É verdade que a nem as próprias fabricas guardaram exemplares dos modelos de  televisores que produziram ao longo dos anos,  tanto que você chegou a locar aparelhos Philips para uma exposição que contou a história da própria Philips?

AM- Sim, praticamente nenhuma empresa se preocupou em preservar seus modelos. Hoje só a Semp tem um museu particular.

Hugo – Sintetize o que representa a televisão para o mundo
AM- No futuro a História Universal vai ser dividida em dois períodos distintos: Pré-televisão e pós-televisão. As gerações que conheceram o mundo sem tv já estão se extinguindo, e  em 30 anos não haverá mais ninguém que conheceu o mundo sem tv. Tudo mudou com a televisão, os costumes mudaram, a própria internet não passa de uma televisão interativa. Tudo é televisão!
Circulou  no caderno de cultura "Blitz" da rede de radios e jornais Diário da Manhã, encartado em comum  nos jornais de Passo Fundo, Carazinho e Erechim (RS), em 13.01.2012
*Todos os direitos reservados pelo autor. Proibida a reprodução total ou parcial deste artigo, sem prévia autorização do titular.,
                                                                                

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Fascinante Universo dos Discos de Vinil: Joaquim Cutrim


O Fascinante Universo dos Discos de Vinil
Joaquim Cutrim
                                                          Por: Hugo Kochenborger da Rosa*
Insert Cultural conversa com o Dr. Joaquim Cutrim, que além de emérito operador do Direito, é de quebra um grande expoente no estudo da audiologia. Nesse certame, diga-se de passagem, Cutrim  é considerado um dos “papas” em termos de Brasil.  Quando o assunto é a defesa  técnico-científica bem articulada  e embasada dos discos de vinil e o som analógico de um modo geral, Joaquim, que é morador da cidade de Niterói, no RJ, é o cara certo a ser convidado  à “tribuna” para se manifestar!!
HUGO - Desde quando você é apreciador do som analógico?
JOAQUIM CUTRIM (JC) -  Desde os doze anos de idade. Tenho ainda meus primeiros compactos simples e duplos e o primeiro LP, uma coletânea chamada “Top 12 USA”.
HUGO - Como surgiu o interesse pelo estudo da audiologia?
JC - Surgiu quando eu li um texto em um site português na Internet que fazia uma comparação entre o CD e o vinil. A partir daí fiquei absurdamente indignado com o que chamei de “farsa do CD”, quando imediatamente encaminhei via e-mail para todos meus contatos o referido texto com o título acima, passando então a fazer pesquisas que culminaram no surgimento do meu primeiro blog, que foi o Vinil Na Veia, cujo objetivo era alertar o público da “enganação” que todos havíamos sofrido; inclusive eu; que vendi minhas coleções em vinil a preço barato, para desocupar espaço, acreditando que aquela mídia que estava sendo anunciada era realmente um substituto do disco de vinil.  Por sorte, mantive algumas coleções e uns vinis de valor afetivo muito grande. Foi o que me salvou. Pesquisei em vários sites brasileiros e vi que não havia nenhuma pesquisa completa sobre o assunto; partindo assim para os sites estrangeiros, onde entre 2005 e 2006 encontrei muita informação de credibilidade. Feito o blog, iniciei o que chamei de verdadeira cruzada contra a farsa da indústria e em favor de ressuscitar a honra tecnológica do vinil. Participei de várias discussões na Internet e concedi sete entrevistas. Mais tarde, também descobri a parte artística do vinil, no que se referia à qualidade gráfica e aos textos culturais; pois até então não valorizava isso.
HUGO - Técnicamente falando, no que difere a sonoridade dos LP’s e dos CD´s?
JC-  O LP ou disco de vinil, tem um som mais acústico, o que significa mais natural. Exemplo: Compare um som de um teclado regulado para tocar como um piano com um piano de verdade: Isso, você agora me compreende. O som do vinil é mais “emadeirado”, mais aveludado; seus graves tem um “attack” mais prolongado, vale dizer, seu grave permanece mais tempo no ambiente.  As notas médias e agudas não são tão altas como no CD, o que evita a fadiga auditiva. Não confundir altura com extensão de freqüência, onde o vinil supera qualquer mídia digital, já que possui sons ultra-sônicos, que não são “ouvidos”, mas são percebidos e eles é que dão “corpo” a todos os harmônicos das notas que compõem a música. Em números, um disco de vinil na reprodução apresenta um espectro de freqüências que vai de 20hz até muito mais de 48 kHz, indo até 100 kHz ou mais em certos transientes de freqüência. (Embora o padrão de gravação seja de 20 hz até 48 kHz). Seu sinal não é fragmentado pela digitalização de 0 e 1 e nem é limitado pela impossibilidade de criação de algoritmos para criar esses transientes num CD e para dar-lhe uma amostragem quase infinita, como a aproximar-se da integralidade do registro feito num sulco de um vinil, que é inteiro e não repartido. Já um CD leva um corte em 2.050 Khz e tudo que passa disso, é jogado "no lixo". E isso que passa é importante para a formação dos harmônicos das notas. Mas não é só o corte em 2.050 Khz para o CD ou 48 kHz para o SACD e outras mídias que só tocam via Codec: É também a perfeição dessas freqüências; pois no vinil elas são perfeitas por serem registradas analogicamente, ao passo que num disco digital, elas são registradas imperfeitamente, em função da digitalização não poder armazenar informações de números “quebrados”; somente inteiros, como 1, 2, 4, 10, 25 milivolts e assim por diante. A digitalização não armazena valores como 1,54; 2,31; 4,78; 10,05 e 25,98 milivolts, por exemplo. E isso é essencial na hora da reprodução. O processo analógico da gravação de um vinil apenas transforma, não cria, não recria, não interfere na obra original. Apenas transforma energia mecânica em elétrica e depois em mecânica de novo para que possamos ouvir. Já o processo digital de criação de um CD, este cria, porque para criar coisa nova é preciso destruir a antiga. E o antigo, no caso, é justamente o sinal elétrico sonoro original.
HUGO - Quando do aparecimento do CD no Brasil em 1987, cuja imagem foi vendida ao público pela grande imprensa e indústria fonográfica e eletrônica em geral como sendo a “mídia mágica e perfeita com máxima qualidade, som puro, livre de estalos e chiados e que mesmo sendo submetido aos piores tratos, não sofreria sequer um arranhão”, você chegou em algum momento a aceitá-la como ponto pacífico, ou desde o começo, já divergia dessa tese?
JC- Aceitei como ponto pacífico, pois confiava muito na honestidade da indústria do áudio até 2004, com poucas exceções em relação a essa confiança absoluta, pois já era técnico em eletrônica em 1982 quando já construía caixas acústicas profissionalmente para residências e boates. Ou seja, fui tão ingênuo como a maioria. somente mais tarde, com pesquisas apuradas e que pude ver as falhas do disco digital e do seu tocador, no que dizia respeito à qualidade sonora, já que pureza de som não é o mesmo que qualidade de som.
HUGO - O peso de um disco de vinil (Gramatura), realmente influencia na sonoridade do mesmo?
JC -  Influencia, mas não é condição absoluta para isso. Um disco de vinil mais pesado significa um disco mais imune ao que se chama de fenômeno da ressonância de cancelamento. Peso, em física, chama-se massa. E ela tem efeitos determinantes na inércia molecular. A inércia, para mais ou para menos vai funcionar como um pára-choque para barrar essa ressonância indesejada. Não se pode reduzir a questão somente a tamanho e profundidade de sulco, como querem. É correto dizer-se que um sulco de um disco de vinil de 180g é do mesmo tamanho de um disco de vinil de 140g? Sim. Mas a questão não estaciona por aí. Isso é física estática. Mas onde fica a física dinâmica? Onde ela fica posta na questão? Na vibração. Exatamente; na mecânica vibracional. Esse efeito relaciona-se com a qualidade do som final de um vinil. Em suma, quanto mais massa tem um vinil, mais imune a efeitos que lhe retirem a pureza de seu som. Mas é importante ressaltar que se forem tomados os devidos cuidados e seguidas as regras de instalação de um toca-discos no ambiente, um disco de menor gramatura tocará tão bem quanto um de maior gramatura. Ou seja; o de maior gramatura resiste mais aos nossos erros.
HUGO - Quais as dicas que você daria para quem está iniciando agora sua coleção de discos?
JC - Em primeiro lugar, lave seus vinis recém adquiridos, tanto os novos como os usados. Os novos podem vir com o lubrificante da prensa. Ele tem que ser retirado. A temperatura ideal é de 28°. O máximo recomendável são 35ºC. Abaixo de 10°, cautela. Evite o armazenamento na diagonal em lotes grandes, pois força o último vinil. Evite pegar o vinil com mãos sujas, óbvio. Poeira deve ser evitada. Prateleiras sempre ao ar livre, boa ventilação e boa entrada de luz. Mas se tiver animais que possam danificar os vinis, ponha portas, tampas e abra-as de vez em quando. Evite guardar o vinil sem plástico interno e externo, que protege bem a capa artística de um vinil. Nunca deixe o sol atingir um disco de vinil. Deteriora-o, como qualquer plástico, pela ação dos raios UVA e UVB e pode empená-lo. Mantenha-os sempre na sombra. E saiba, desde já que a água corrente quando você está lavando o vinil com os pés no chão você automaticamente já descarregou via seu corpo toda e qualquer energia estática dele. 

HUGO - O que o ouvinte médio precisa em termos de equipamentos para poder subtrair uma boa qualidade na audição de seus Long Plays?
JC - Um bom toca-discos com uma boa cápsula instalada nele; bem ajustado e instalado no ambiente. Um amplificador com uma boa banda de resposta de freqüência, ou seja, de 20 Hz a mais de 48 kHz; um bom par de caixas acústicas e vinis criteriosamente bem lavados e cuidados. A observação fica no sentido de que, para uma audição de graves abaixo de e 80 hertz faz-se necessário o uso de caixas acústicas com alto falantes de no mínimo 10 ou 12 polegadas; podendo chegar ao ideal de 15 a 18 polegadas; lembrando que cada alto-falante deste interfere no tamanho da caixa; o que será a uma questão de escolha pessoal. A caixa acústica deve ter divisor de freqüência de no mínimo, três canais.
HUGO - Em que pé anda a indústria do disco de vinil no Brasil, e no exterior no momento?
JC - Segundo a Official Charts Company, em 2011, as vendas de discos de vinil tiveram um aumento de 40%, ou seja; 240 mil discos vendidos, em relação a 2010, onde foram vendidos 234 mil discos. É o melhor resultado em seis anos. Inclusive ultrapassou a previsão da Nielsen Soundscan, que era de 25%. O disco de vinil é o formato que mais cresce em número de vendas.
HUGO - Em rápidas palavras, qual seria o procedimento correto para a limpeza de um disco de vinil? E para quem coleciona os antigos 78 RPM a regra seria a mesma?
JC - Compre um detergente de qualidade e algodão hidrófilo, aquele algodão medicinal. Dilua o detergente em água de boa qualidade, na proporção de 7 ml de detergente para 200 ml de água (Uma tampinha de refrigerante cheia de detergente para um copo comum, cheio d’agua). Se sua água não é boa, use a de degelo de geladeira, desde que o gelo esteja livre de gorduras e outras sujeiras). Se você não tiver o tapa-selos (Veja como utilizar o kit em meu blog), cuidado para não molhar muito o selo. Deixe a água cair em cima do vinil e vá girando-o; vire para o lado B. Passe o algodão embebido na solução de água com detergente. Depois retire com a mesma água de torneira todo o detergente espalhado, lavando bastante até você tocá-lo com os dedos junto à água corrente e verificado que seus dedos estão travando, ou seja, que o detergente já saiu todo da superfície. Ponha o vinil para escorrer em um escorredor de pratos de plástico. Deixe a ventilação interna de sua casa secar o vinil. Não o enxugue com panos. No máximo absorva os pingos restantes com guardanapo de papel, tocando-os. Esse procedimento é o mesmo para discos de vinil ou shellac, não importando a rotação, se 78 RPM ou não.
HUGO - Qual seria o modo correto para a armazenagem de grandes quantidades de discos de vinil?
JC-  Em uma estante ocupando paredes inteiras, usando madeira anti-cupim ou ferro, ou feitas de alvenaria. Devem ser guardados em lotes de 10 a 12, cada um em seu próprio escaninho, uma espécie de repartição na estante. Não importa o tamanho da estante. A ordem alfabética é ideal para quantidades acima de mil vinis. Se são muitos mesmo, o ideal é um quarto adaptado para isso, com temperatura e umidade do ar controladas. Um condicionador de ar é bom para retirar o excesso de umidade, que deve estar em torno de 40 a 50%, a uma temperatura ideal de 25°. O limite entre o mínimo e máximo deve estar entre 10° e 35°
HUGO - E o mp3, e demais formatos de compressão de amostragem de áudio, como se enquadraria no contexto de qualidade de som?
JC- O mp3 retira mais qualidade de som do que o CD já retira, como falei anteriormente. Por exemplo: Faz com que a voz de um coralista seja idêntica a de um outro quando essa diferença é sutil. Isto: Tira todas as sutilezas e detalhismos de uma música; retira sons existentes no momento em que a banda tocou e há uma perda muito grande na dinâmica sonora, que é o atributo de você destacar o som de um instrumento de outro e deles, a voz ou as vozes.
HUGO - Enquanto colecionador de discos, quais seus gêneros musicais e artistas favoritos?
JC- Não tenho um gênero musical definido, pois não gosto de "me pôr cercas". Gosto de movimentar-me livremente na arte de acordo com meu sentir, dizendo um não ao academicismo. Até passo a gostar de ritmos, arranjos e harmonias que antes não gostava. Em relação a artistas, gosto de muita gente, a lista é grande; não daria para colocar nessa entrevista e, como colecionador de algo já em torno de 1000 vinis, por enquanto; enumero o possível: No momento, estou apreciando muito:  Françoise Hardy, Élodie Frégé, Joss Stone, Gigliola Cinqüetti, Paula Fernandes,  Lucie Bernardoni, Georges Brassens,  Jacques Brel, Carlene Davis, Fagner, Luiz Gonzaga, Simone,  Joana, Maria Bethânia, Maria Rita, Elis Regina, Maysa,  Zé Ramalho, Caetano Veloso, Gil, Benito Di Paula, Fafá de Belém, Fernanda Brum, Eyshila,  Alcione, Clara Nunes, Nara Leão, Tim Maia, Gal Costa, Maria Creuza, Raul Seixas, Ney Mato Grosso, Ed Motta, Cartola, Roberto Carlos, Marina, Nelson Gonçalves,  Altemar Dutra, Papete, Celso Reis, Ubiratan, música erudita em geral; eruditos solistas como Maria Lívia São Marcos, Rafael Rabelo, Turíbio Santos, Pacco de Lucia e ainda um passado internacional glorioso, como Led Zeppelin,  Guns ´N’ Roses, Sandra Cretu,  Donna Summer,  Cindy Lauper, Carly Simon, Debbie Gibson, Madonna, Coldplay, Rolling Stones, sem, esgotar esta lista.

Circulou  no caderno de cultura "Blitz" da rede de radios e jornais Diário da Manhã, encartado em comum  nos jornais de Passo Fundo, Carazinho e Erechim (RS), em 16.12.2011
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Nas Ondas da Magia do Rádio: Valdir Comegno

Nas Ondas da Magia do Rádio

Valdir Comegno 
                                                            Por: Hugo Kochenborger da Rosa*
                        
Mais um belíssimo lançamento editorial, vem ao encontro a todos os amantes da magnificência do Rádio de outras eras. O Professor Valdir Comegno, 74, natural de Bauru/SP, está lançando mais uma obra que promete elucidar muitos fatos da trajetória desse instigante veículo comunicacional.  “Nas Ondas da Magia do Rádio”, sua mais recente investida no universo “escriba”, tem seu lançamento previsto para esse sábado (19).
Valdir, que é docente de Geografia,  já havia anteriormente lançado outra obra de referência sobre o assunto da História do Rádio, entitulada “A Magia do Rádio”, livro esse muito bem recebido tanto por entusiastas das encantadoras histórias dessa “caixinha mágica”, quanto pelos estudantes de Comunicação de um modo geral.  A prova disso é o fato da obra já se encontrar em sua segunda edição.
De um modo geral, Comegno evoca o conteúdo de seus livros, com a serenidade, riqueza de detalhes  e a certeza de quem “estava lá”, como testemunha “In loco” de tudo aquilo que é relatado.
O Insert aproveitou um dos raros momentos de folga desse entusiástico pesquisador morador da “Terra da Garoa”, e bateu um papo com com ele. Confira!!
Valdir Comegno
Hugo - Como surgiu seu amor pelo Rádio?

Valdir Comegno (VC) - Bem eu nasci praticamente na Era do Rádio, mas tudo começou em 1951 quando uma semana após ser eleita Rainha do Rádio, Dalva de Oliveira foi fazer uma apresentação em Bauru, interior de São Paulo, cidade onde morava. Nessa época eu estava com 14 anos e até então o Rádio nada significava para mim. A Bauru Rádio Clube, "PRG-8", até então única emissora de Rádio da cidade havia adquirido o prédio de um antigo cinema e transformado em auditório, por sinal moderno e com capacidade para 600 pessoas. Cada semana a Bauru Rádio Clube apresentava um cartaz vindo normalmente do Rio de Janeiro como Carmélia Alves, Francisco Carlos, Adelaide Chiozzo, Nelson Gonçalves e outros mais. Até que decidiram trazer Dalva de Oliveira, a cantora do momento, com muitas gravações nas paradas. Nessa época eu trabalhava como entregador de remédios de uma farmácia e faturava alguns trocados como “caixinhas”. Assim juntei o dinheiro que havia ganho na semana e fiz a minha reserva para assistir ao show. Até então eu nunca havia visto artista nenhum no palco e qual foi a minha surpresa ao ver aquela mulher linda, de olhos verdes, cantando com uma voz privilegiada. Dalva vinha de uma tumultuada separação conjugal e só se falava nela. A partir daí passei a sintoniza-la pelas ondas da Rádio Nacional e na primeira férias fui ao Rio para poder assisti-la. E assim, começou o meu amor por ela e pelo Rádio brasileiro.

Hugo - Seu primeiro livro "A Magia do Rádio"que já se encontra na segunda edição, onde a obra foi revisada e ampliada, foi fruto de um intenso e laborioso trabalho de pesquisa que levou mais de 10 anos. Como surgiu a idéia de editar um livro sobre esse assunto e de que modo você conseguiu reunir um bom "dossier" a respeito. Exatamente qual abordagem o entusiasta do Rádio encontrará por lá?

 
VC-  A partir do momento em que os LPs deram lugar aos CDs, comecei a colecionar gravações de Música Popular Brasileira. A  vinda dos aparelhos que transformam LPs em CDs minha coleção começou aumentar. Por essa época conheci alguns colecionadores de MPB com os quais comecei a fazer permutas. Foi então que comecei a guardar tudo o que encontrava: revistas, recortes de jornais, fotos, enfim tudo que dizia respeito aos anos dourados do Rádio. Por sugestão de uma amiga comecei a fazer anotações em um caderno que acabou se transformando em livro. Essa minha amiga costumava dizer: "Você tem que colocar no papel todo esse seu conhecimento. Já pensou em escrever um livro?"  Assim comecei a me organizar e acabei produzindo o livro "A Magia do Rádio" que felizmente já está na segunda edição. Isso tudo demorou dez anos, mas por displicência minha. Tinha época que trabalhava o assunto, depois vinha a preguiça e o assunto era engavetado. Assim foi, até o dia em que cheguei em casa e encontrei uma caixa de papelão no meio da sala. Era um computador, presente de um sobrinho. Depois de um curso rápido de informática, decidi terminar o livro. Hoje não levo mais dez anos para escrever um livro. O livro "A Magia do Rádio" aborda fatos e personagens da Era do Rádio, de 1922 data em que o rádio foi oficializado no Brasil até o final dos anos 60 quando a televisão ganhou força e passamos por uma ditadura militar. Como o livro é uma espécie de almanaque onde conto os principais acontecimentos de ano a ano, serve de guia para aqueles que pretendem se aprofundar no assunto, e isso me deixa muito feliz.
"A Magia do Rádio", primeiro livro de Valdir, já se encontra em sua 2ª edição (revista e ampliada)
Hugo -  E o seu novo livro, "Nas ondas da magia do Rádio", em que difere do anterior?
 
VC- O primeiro livro "A Magia do Rádio" foi focado em fatos e personalidades que marcaram a história do Rádio brasileiro, dos anos 20 aos anos 60, quando a televisão chegou com força total. "Nas Ondas da Magia do Rádio" mostra o caminho que o Rádio trilhou a partir dos anos 70, quando as emissoras para sobreviver tiveram que cortar gastos, eliminando os grandes elencos de cantores, radio atores, as orquestras e maestros. A partir dessa época o rádio se voltou aos programas de estúdio, dando ênfase ao jornalismo e ao esporte.

Hugo - Você chegou a freqüentar os auditórios de Rádio quando garoto? Que recordações tem dessa época mágica?

VC-  Comecei a freqüentar os auditórios de Rádio aos 15 anos. As férias escolares e de emprego passava no Rio de Janeiro. Durante o tempo que permanecia por lá ia a quase todos os programas das Rádios Tupi e Nacional. Os programas que mais gostava de assistir era o de Manoel Barcelos na Rádio Nacional, às quintas feiras e Caleidoscópio na Rádio Tupi aos domingos, dirigido por Paulo Roberto e Carlos Frias. Já o programa Cesar de Alencar era impossível de assistir. A fila começava se formar as quartas-feiras e a bilheteria só abria no sábado pela manhã! Para conseguir entrar era preciso pertencer ao Fã Clube da Emilinha ou da Marlene que compravam quase todos os ingressos para repassá-los aos associados. As recordações são agradáveis. Lembro-me de de que Dalva e Linda Batista haviam brigado e Dircinha estrearia na Rádio Tupi logo após o término do programa da Dalva.
Pois é o Fã Clube da Dalva providenciou caixas e mais caixas de confetes e serpentinas e durante o o programa fizeram aquele carnaval. Dircinha estreou com o palco cheio de confetes e serpentinas que não haviam sido jogados para ela e ainda com o auditório pela metade pois a ordem do Fã Clube era de que os fãs de Dalva se retirassem assim que o programa terminasse.

Hugo - Quais seus artistas preferidos do Rádio de outrora.


VC-  Gosto de Nelson Gonçalves, Jorge Goulart, Orlando Silva, Francisco Carlos, Nora Ney e Dalva de Oliveira.
Emilinha Borba, Marlene e a própria Dalva de Oliveira.

Hugo -  Você considera a televisão como a grande vilã para a perda gradativa do brilho do Rádio?

VC-  Não sei se podemos responsabilizar a televisão como a grande vilã para a perda gradativa do brilho do rádio. Acho que chegou a hora do rádio acompanhar os novos tempos e assim o fez, tanto assim que transferiu seus programas de auditório para a televisão que insiste em permanecer com o mesmo esquema. Acho que o rádio acompanhou os novos tempos, hoje ele é informativo e dinâmico.
Hugo -  O jovem atual tem se interessado pelo tema?

VC-  Os jovens de hoje curtem muito pouco música brasileira, preferem as bandas de rock, mas existe uma minoria que gosta dos artistas da era do Rádio e que se interessam pelo assunto. O meu livro "A magia do Rádio" teve boa aceitação pelos alunos dos cursos de comunicação.
Hugo - Qual a programação para o lançamento de "Nas Ondas da Magia do Rádio"?

VC-  Está prevista para o dia 19 de novembro uma tarde de autógrafos no Rojas All Suite Hotel, na Av. São João, 1.399, aqui em São Paulo, no horário das 15 às 18 horas. Paralelo ao lançamento do livro acontecerá um "sarau" com inúmeros artistas da Velha Guarda. Espera-se a presença dos cantores Roberto Luna, Silvana, Raimundo José e das radioatrizes Izaura Marques, Jessy Fonseca e Dayse Fonseca.

Hugo -  Onde os interessados podem adquirir seu novo livro?
VC-  Se alguém tiver dificuldade em adquirir meu novo livro "Nas Ondas da Magia do Rádio", poderá fazê-lo diretamente comigo pelo e-mail valdircomegno1@hotmail.com. Já o livro anterior, "A Magia do Rádio"; pode ser adquirido nas livrarias Cultura em São Paulo ou Instituto Memória em Curitiba. 
O preço de capa de “Nas Ondas da magia do Rádio” é 30,00.

Livro: “Nas Ondas da Magia do Rádio”
Autor: Valdir Comegno     Páginas: 200        Editora ABR
Circulou  no caderno de cultura "Blitz" da rede de radios e jornais Diário da Manhã, encartado em comum  nos jornais de Passo Fundo, Carazinho e Erechim (RS), em 18.11.2011
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